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Hákilla Ábilla Direito Médico

Conselho e ética

Publicidade médica nas redes sociais: o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite e proíbe

Publicidade médica nas redes: o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite (preços, antes e depois, equipamentos) e o que continua proibido.

Por Hákilla Ábilla, advogada de Direito Médico · · 5 min de leitura

As redes sociais se tornaram a principal vitrine do médico. Ao mesmo tempo, são uma das origens mais comuns de denúncias aos Conselhos Regionais de Medicina. Muitas vezes, o médico nem percebe que um post, um story ou um anúncio impulsionado está em desacordo com as regras.

A Resolução CFM nº 2.336/2023 modernizou a publicidade médica e trouxe mais liberdade, mas também deixou mais claro o que é vedado. Conhecer o texto é a forma mais segura de usar as redes a seu favor.

O que mudou com a nova resolução de publicidade médica

A Resolução nº 2.336/2023 substituiu a antiga Resolução nº 1.974/2011 e entrou em vigor 180 dias após a publicação, em março de 2024. Ela veio acompanhada do Manual da Codame (Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos), que detalha a aplicação das regras.

A mudança de espírito é clara: em vez de tratar quase toda divulgação como suspeita, a norma reconhece que o médico pode e deve se comunicar, desde que com veracidade, sobriedade e respeito ao paciente.

O que é obrigatório em toda peça

Segundo a resolução, toda peça de publicidade médica deve conter:

  • nome do médico e número de registro no CRM, acompanhados da palavra MÉDICO;
  • especialidade ou área de atuação, quando registrada, seguida do número de RQE.

O Código de Ética Médica também considera infração deixar de incluir essas informações em anúncios profissionais. Na prática, a bio do perfil, o site e os anúncios patrocinados devem trazer esses dados de forma visível. Em clínicas e hospitais, também deve constar o nome do diretor técnico com seu CRM.

O que a Resolução 2.336/2023 permite

Entre as permissões expressas da norma, estão:

  • informar valores de consultas, meios e formas de pagamento;
  • anunciar abatimentos e descontos em campanhas promocionais, sem venda casada, premiações ou outras práticas que desvirtuem a medicina;
  • mostrar o ambiente de trabalho e equipamentos, conforme o registro na Anvisa;
  • informar como marcar consulta, horários e o funcionamento do consultório;
  • fazer comentários genéricos sobre a alegria com o trabalho, sem identificar pacientes;
  • revelar resultados comprováveis de tratamentos, desde que sem identificar pacientes;
  • publicar conteúdo educativo sobre doenças e procedimentos relacionados à especialidade;
  • repostar, de forma sóbria, autorretratos e depoimentos de pacientes, sem adjetivos que denotem superioridade ou induzam promessa de resultado.

Antes e depois: permitido, com regras

O uso de imagens de antes e depois passou a ser admitido com finalidade educativa. A resolução exige, entre outros pontos:

  1. texto educativo com indicações, fatores que influenciam os resultados e complicações descritas na literatura;
  2. conjunto de imagens que mostre evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações;
  3. quando aplicável, diferentes biotipos e faixas etárias e evoluções imediatas e tardias;
  4. proibição de edição, manipulação ou melhoramento das imagens;
  5. autorização do paciente e garantia do seu anonimato, mesmo com a autorização.

Postar apenas os melhores resultados, com filtros e sem contexto, continua sendo um dos caminhos mais rápidos para uma denúncia.

O que continua proibido

ProibidoExemplo comum
Garantir, prometer ou insinuar bons resultados"Resultado garantido", "saia daqui com o corpo dos sonhos"
Sensacionalismo e autopromoçãoEnaltecer a própria atuação, divulgar técnica que deve ficar restrita ao ambiente médico
Divulgar técnica ou método não reconhecido pelo CFMTratamentos sem reconhecimento científico
Atribuir capacidade privilegiada a aparelhos ou técnicas"O único aparelho que realmente funciona"
Anunciar especialidade sem RQENão especialista dizendo que "trata" determinado órgão ou doença
Expor consultas ou procedimentos em tempo realLives de procedimento, salvo exceções previstas
Participar de prêmios de "melhor médico"Listas e títulos com foco promocional
Ofender colegas, especialidades ou técnicasVídeos depreciando outros profissionais

A resolução também define o que considera sensacionalismo, promoção indevida e concorrência desleal, como veicular informação que cause pânico ou medo, ou usar representações visuais que induzam à percepção de garantia de resultados.

Cuidados práticos com a publicidade médica no dia a dia

  • Revise a bio de todos os perfis: nome, CRM/UF e RQE.
  • Não identifique pacientes, nem por detalhes indiretos, como tatuagens, cenário ou voz. O sigilo continua valendo nas redes; veja os limites no artigo sobre sigilo médico.
  • Cuidado com o tráfego pago: o anúncio impulsionado segue as mesmas regras, e a responsabilidade é do médico, mesmo que a agência tenha criado a peça.
  • Guarde as autorizações de uso de imagem, assinadas e específicas.
  • Separe opinião de informação: críticas às condições de trabalho são permitidas, mas sem tom ofensivo.

Se você recebeu uma notificação por causa de uma publicação, entenda como funciona a sindicância no CRM antes de responder. E, se o problema for o contrário, quando é o médico quem está sendo atacado nas redes, veja o que fazer se você foi exposto nas redes sociais.

Perguntas frequentes

O médico pode divulgar o preço da consulta no Instagram?

Sim. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, além de anunciar descontos em campanhas, sem vendas casadas ou premiações.

Posso postar foto de antes e depois de paciente?

Pode, com finalidade educativa e seguindo as regras da resolução: texto explicativo, apresentação de resultados satisfatórios e insatisfatórios, imagens sem edição, autorização do paciente e preservação do anonimato.

Posso repostar o story de um paciente elogiando o atendimento?

A resolução admite repostar autorretratos e depoimentos de pacientes, desde que sejam sóbrios, sem adjetivos que indiquem superioridade ou induzam à promessa de resultado.

Quem responde se a agência de marketing fez o post irregular?

O médico. A publicidade é feita em seu nome e sob o seu CRM, por isso é importante aprovar cada peça e orientar a agência sobre as regras.

Fontes e normas citadas

Conteúdo informativo, atualizado em 3 de novembro de 2026. Não substitui a análise jurídica do caso concreto. Normas e entendimentos dos tribunais podem mudar.